27.9.12

Setembro generoso.

Setembro foi um mês generoso. Tão generoso quanto aquela tia que insiste que vocês aceite todos os quitutes existentes na casa, mesmo que você diga que não os quer de tão empanturrado que está. Setembro foi um excesso. Sem falar que foi um susto, um súbito, um “uau! Tudo isso é para mim?”. Vivi setembro como quem vive três meses de uma vez só. Tudo foi triplicado: o tempo ocupado, a saudade da família, o trabalho frenético, a falta do sono, a intensidade dos bons momentos, o carinho no serviço...

Levantei às 7 horas e deitei à 00h, praticamente todos os dias. No meio disso, um turbilhão de acontecimentos. Sono, muito sono! Na hora livre, das 14h às 15h, dormi embaixo de uma árvore, tirei fotos dos carros passando, toquei violão, dormi dentro do carro, rezei por chuva, ouvi os pássaros, dormi com a cabeça apoiada na mesa, ouvi o som do vento, sonhei com minha mãe...

Nesse mês me superei. Fiz mais do que achei que seria capaz. Me senti extremamente cansada nos minutos vagos, mas também me senti feliz. Meu corpo é que precisa sair do sedentarismo para enfrentar um ritmo desses. O tempo livre nunca foi tão valorizado. Jamais senti tanto prazer em colocar um chinelo nos pés, deitar na grama e fechar os olhos.

Achei linda a generosidade da vida, a bondade de Deus, que me ouviu todos os dias, durante o percurso zumbi cama-banheiro, pedir: “dá-me ânimo”. Ele me deu. Termino esse setembro farto farta, e extremamente feliz. Espero um outubro mais leve, mas não menos generoso do que o mês que passou.




18.9.12

Contraluz.



Na contraluz, só se vê a silhueta. Gosto da imagem. Fotografo bem com os olhos o que me parece bonito no mundo. Mas a imagem de alguém caminhando contra a luz me deixa a dúvida. O caminhar vem ou vai? Nos passos do indivíduo, há apenas o movimento. Pernas se cruzam, braços balançam, mas a direção é incerta. Sem rosto é difícil saber qual a frente, qual atrás. Vindo, indo? Não se sabe. Aí está a graça, o mistério. E a mente sempre aposta consigo mesma para descobrir a resposta.

Há pessoas que caminham assim na nossa vida, na contraluz. A gente não sabe se ela anda na nossa direção, ou se vai no sentido oposto. Se aproxima? Se afasta? Está perto? Está longe? Não há como deduzir, até que, num momento mágico, a certeza surge. Fica óbvio quando percebemos que o tamanho da pessoa se torna evidente. Maior do que antes, perto. Menor, longe. E aí nem precisamos especificar se o tamanho é físico ou se é sentimental, já que na maior parte do tempo eles são diretamente proporcionais. O problema é que pode ser tarde demais. É muita ilusão de óptica e, com ela, muita expectativa no olhar.

Não sei bem se há graça neste caso. Achamos que a pessoa está vindo, quando, na verdade, já se foi. Mas, assim como na contraluz, a mente brinca e faz suas apostas. O coração, que é bobo, cede ao jogo de azar. É uma pena que quase sempre perde.

6.9.12

Faça o que tem que fazer. O que gosta de fazer. O que quer fazer.
Daqui, eu vou torcer pra que esses verbos nunca entrem em conflito.

25.8.12

O casal.

Eu lembro dos último dias. Das últimas semanas. A sensação era pesada, já de saudade. Uma tensão de energias opostas, éramos opostos. Lembro de entrarmos no elevador. O espelho. Eu o abraçava e pensava em como éramos um belo casal. Pensamento este que era habitual, mas nessas últimas semanas, ressoava como uma onda devastadora. Doía. Como éramos um belo casal se a relação já não ia bem? Ou pior, como a relação não ia bem se ficamos tão perfeitos juntos? Lembro de, nos últimos dias, abraçá-lo forte, como quem se despedia. Eu sabia que poderia ser o último abraço. Eu sabia.

Hoje, vi uma foto nossa e tive o mesmo pensamento. Eu e ele, que bonitos juntos. Mas não foi pesar que senti. Foi uma saudade leve, livre, suave. Fomos um belo casal. Isso basta por hoje. Essa sensação sim reflete melhor o que éramos.

14.8.12

A saudade. A expectativa.

Me vi sentada na cama. Computador no colo. Palavras na cabeça. Chocolate na mão. Danei a escrever por ter no peito sensações boas e uma ânsia por vida. Estava no quarto quando comecei a relembrar momentos grandiosos que passei. Não vou listá-los aqui, não vem ao caso. A hora é de guardá-los no coração, na gaveta mais próxima às mãos para que eu possa mexer nas lembranças sempre que sentir vontade. Eu estava no quarto, mas a mente viajou o mundo.

A verdade é que ao mesmo tempo que olhei para trás, senti vontade de ir para frente. Nesse paradoxo cheio de lógica, sorri. Meus Deus, que vontade de viver mais, de aproveitar mais, de sentir mais. O mundo todo aí se oferecendo. É música, é cor, é toque, é cheiro... tudo isso à vontade! A ansiedade pulou aqui dentro. Eu não esperava nada concreto e ao mesmo tempo esperava tudo.

Respirei fundo, pedi calma a mim mesma. Permaneci sentada na cama, o sorriso estampado pela saudade, a vontade de fazer mais. A barra de chocolate chegou ao fim. Era 1h da madrugada. Amanhã sairia de manhã pra ver o Sol e celebrar os raios que me energizam a cada dia. Guardei o computador. Pausei as palavras. Apaguei a luz. Dormi. Tinha que descansar para o primeiro dia do resto da minha vida. Para data importante assim, a gente tem que tem que ter energia sobrando.

6.8.12

Pedro e a solidão de Marina.

- Talvez você esteja certo. A solidão é o meu lugar.

Marina pegou a bolsa em cima do sofá e fechou a porta. Depois de tanta briga, de tantas palavras amargas e secas, ela soltou sua última frase em um tom suave, quase sereno. Pedro já não a entendia há muito. Já não a aceitava. E ela não compreendia o fato dele ainda estar com ela, mesmo com tanto julgamento e desaprovação.

Ter companhia. Não ter. Ser feliz. Não ser. A montanha russa de sentimentos era repetitiva e previsível. Mas de uns tempos pra cá, o pico já não era tão alto. A descida, sim, estava cada vez mais ingrime, e sem freio.

Pedro já não segurava sua mão pelo caminho. Era só que ela andava. Ela fingiu que não significou nada, mas todos os dias durante o café da manhã relembrava as palavras ditas pelo rapaz num dia qualquer de fúria. "Eu estou do seu lado. Mas você merece a solidão".

Marina bateu a porta e Pedro ficou inerte, quase paralisado. Marina foi embora. Pedro é quem ficou só. Andaram durante um bom tempo pela cidade em busca de Marina, ele e a solidão.

25.7.12

Dia do Escritor.




Dia 25 de julho é dia do escritor. Foi bem nesse dia, há 23 anos, que minha mãe correu pro hospital sentindo dores que eu nem imagino como são para me parir. Foi assim, de repente eu vim a ao mundo. Deus deve ter me dado opções de dia, e eu escolhi o Dia do Escritor. Me pareceu uma boa data.

Incrivelmente, neste ano não tive crise pré-aniversário. Verdade que sentirei falta dos 22, já que nunca uma idade me soou tão par, tão completa. Mas não me senti velha, ou, se senti, isso não me doeu. Estive preocupada com outras coisas. Feliz com o trabalho novo, com a família por perto, com o carinho dos amigos. Triste com o fim de um namoro de quase 7 anos (e só de escrever, meu olhos se apertam). É bom ver que a vida está acontecendo, meio cruel, às vezes, meio violenta, mas suave também, como o vento balança a copa das árvores e faz aquele som delicioso de ouvir.

Hoje é dia 25 de julho. O dia me inspira vida, tudo por conta de vocês. É a serenata dos irmãos na porta do quarto à meia noite; é a ligação dos pais que estão longe; é a voz da avó que fica trêmula na ligação; é o almoço delicioso em baixo de árvores com os primos; é o ‘eu li amo’ dito pela prima na rodoviária; é o abraço gostoso dos amigos do trabalho (seguido de um monte de chocolate); é a visita inesperada enfeitada de perfume no fim do expediente; são as ligações, as mensagens, a energia positiva direcionada a mim, o “tudo de bom” dito várias vezes na minha timeline.

Por isso, queridos, gasto a última meia hora do Dia do Escritor para escrever pra vocês. Obrigada por serem uns lindos, por enfeitarem minha vida e por estamparem sorrisos no meu rosto.

Sim, que venham os próximos anos. E sim, que “tudo de bom” aconteça da minha vida (puxa! É muita coisa boa). Fiquem sabendo que essas coisas só terão graça com vocês por perto!

Com amor, Jéssica.


PS: É Dia do Motorista também, o que diz muito sobre o fato de eu ser quase uma pilota (essa palavra existe?). Além disso, é Dia do Trabalhador Rural, o que não faz o menor sentido e não acrescenta nada a esse texto.

23.7.12

Ímpar.


Img_5637-002_largeNão sou mais o seu par. Suas mãos enlaçam outra cintura que não a minha. Seus pés guiam passos de outro alguém. Um corpo desconhecido rodopia ao redor de ti.

Não estamos mais no mesmo salão. A música que ouvimos são diferentes.

E se hoje você dança com outra, meus passos guio sozinha, num ritmo novo, desconhecido e delicioso. Às vezes, tropeço nos meus próprios pés. Mas se caio, me levanto e tento o passo mais uma vez, e de novo, e de novo.

Danço na casa vazia, em frente ao espelho, no meio da sala. No salão cheio. Danço como quem flutua, num balé errado, seguindo o ritmo que a vida me deu.

Já consigo dançar sem par. Sou ímpar. Tão ímpar que, você sabe, passos como os meus você não encontrará nos pés de mais ninguém.

21.7.12

Meu luto.

Acontece volta e meia. Estou bem triste, mas por um segundo veloz algo me distrai. Dou uma risada de leve, quase sem querer. Imediatamente, me vem uma tristeza pesada que diz "porque diabos você está sorrindo? Não tem motivos pra isso". Me recolho ao meu lugar. Meu luto. Minha dor. Espero que passe. Espero.

18.7.12

Nêga, Nêga, Neguinha.


É tão fácil amar a vida quando penso em você. Dos momentos mais felizes aos mais árduos, lá está você, do meu lado. A sorte é que caímos na mesma família. Mas a verdade é que, mesmo se não fosse o sangue, faria questão de te manter por perto. Você é o tipo de pessoa que dá razão a minha existência. E, Meu Deus, como agradeço pela sua existência, Mila.

Hoje é um dia especial. Você faz 22. Só isso já é motivo para celebrar! Mas tenho que te lembrar que há outro aniversário sendo comemorado hoje também: nossa amizade. Ela completa 22. Não lembro o dia que te conheci, mas sei que hoje te conheço como poucos. E você a mim. Você me lê de olhos fechados.

Obrigado, prima, por existir. Obrigada, amiga, por me entender. Obrigada, irmã, por não me deixar sozinha nesse mudo. Eu amo você, Neguinha! Um dia a gente disse que isso era pra sempre. E será! Nosso pacto de sangue foi feito antes mesmo da gente existir!

Feliz aniversário, minha linda!

11.7.12

Doce amargo.

Foi até a cozinha e preparou um chocolate quente com biscoitos.
Se a vida tinha que continuar, mesmo com tanta tristeza, que ao menos o gosto fosse doce.

24.6.12

Sentido anti-horário.

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Olhei o relógio por puro hábito num movimento corriqueiro repetido inúmeras vezes por dia e tive a sensação de que os ponteiros giravam ao contrário. Um segundo pra trás, um minuto, uma hora. Era o tempo regredindo ao ponto de antes. O anteriormente. O passado que ainda estava por acontecer.

Não sei se o tempo passou, se voltou. De tão impressionada, só conseguia olhar para o ponteiro girando ao contrário. Fiquei ali por alguns segundos (a mais ou a menos) nesse pretérito do futuro, futuro do pretérito, presente passado, futuro de alguns segundos atrás.... não sei definir. Mas foi bem assim mesmo, confuso e surpreendente.

19.6.12

Olhe e respire fundo.


Na rua, dia desses, me perdi.
Esqueci completamente de vencer.
Mas o vento lá da areia trouxe infinita paz.
- Teatro Mágico -

18.6.12

Estática.

O coração dispara quando leio. O impulso é imediato: travo. Fico estática. Só me resta silêncio pra ouvir meus gritos interiores. No fim da zoeira, o alívio. É bom saber que não sou a única suja. Quem tentou parecer limpo não passa de encardido. Continuo estática, por não saber como agir, por medo, por segurança. E assim fico.

2.6.12

Meio dia de um sábado.

Acorda. Cheiro de almoço vindo da cozinha. Desperta assustada. É meio dia de um sábado. Meio dia jogado fora com um sono desnecessário. Tempo desperdiçado. Não é mais tempo.

28.5.12

Leve.


Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve
Não me leve a mal
Me leve apenas para andar por aí

Chico.

16.5.12

Do sonho colorido.

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Deitou na cama, fechou os olhos e mergulhou num sonho rosado com gosto de suspiro. Caiu de nuvem em nuvem buscando o chão. Na falta, caminhou por entre raios amarelos de um céu azul. Um pássaro lhe disse: “voar é diferente de andar. Bata as asas juntas que é para não despencar”. E assim, aprendeu, depois, é claro, de tropeçar em vários balões.

As cores eram vivas, assim como era vivo seu corpo. Mais vivo do que jamais fora. Pulsando luz, exalando raios. Era ela num mundo mágico, que, por ser sonho, só a ela pertencia. “Um mundo só meu? Então o pinto das cores que eu escolher”. E aí, abusou na aquarela, com tons quentes e radiantes. Porque, embora no mundo real fosse inverno, no sonho, o verão parecia bem mais empolgante.

Acordou. Guardou no peito a lembrança de um mundo que jamais existiu. Jamais existiu? Enganou-se se pensou assim. Na noite seguinte, deitou na cama, fechou os olhos e dessa vez aprendeu a pintar nuvens e a consertar corações quebrados... Mas essa é história para outro momento. A menina vai dormir, porque o mundo dela não aguenta tanto adiamento.

15.5.12

O que interessa.


“O que você não quer contar é a única coisa que me interessa”, ele disse.

Na cabeça dela, só tinha espaço para um pensamento. Será que de nada adiantou a sinceridade dada a todo custo durante o tempo em que esteve com ele? Não era fácil ser verdadeira. Não por um desvio de caráter, nem por um vício frenético pela mentira. Não era fácil porque o mundo lhe cobrava uma máscara sempre que saísse em público. Ser assim, fazer assim, portar-se assim. As regras são claras, meu amigo, e dizem: “não seja tão clara assim”. Sim, a relação entre eles exigia uma certa dose de sinceridade. Mas, paradoxalmente, pedia umas gotas de falsidade, que, no fundo, seriam benéficas. Ainda assim, ela evitava perder-se num mundo de invenções que amenizassem a cruel realidade. A maquiagem deixa a pessoa bonita, mas só temporariamente. Com água, a beleza se desmancha. Ela não queria ser um rosto manchado. Mas um dia, decidiu que talvez a verdade não coubesse no momento. E para não mentir, omitiu.

“Não posso contar. Não vou”.

Ele pegou a jaqueta jeans surrada de sempre, fechou a porta de madeira antiga e foi embora. Não voltou.

A consciência dela nunca foi tão limpa. E o coração, tão leve e vazio.

6.5.12

Minha Lua.

Foto: Jéssica Raphaela

4.5.12

Pega teu barco e navega.

Tem uma voz que a todo momento sopra no meu ouvido:

"Vai.  Pega teu barco e navega . O mar é grande. As ondas são deliciosas para um bom mergulho. Vai. Sobe a vela e deixa o vento te levar. Para lá. Para cá. O que importa? Vai sem rumo, menina. Vai que o mundo te espera".

Eu, no entanto, continuo ancorada num escritório com janelas fechadas.


More Than This (Featuring Norah Jones) by Charlie Hunter Feat. Norah Jones on Grooveshark

3.5.12

Se me vejo feliz, quase sempre exijo um talvez.


Legião.

2.5.12

Pro amigo distante.

Quase sempre você acalma meu coração, amigo. Vem com palavras certas nas horas necessárias. Ou com palavras necessárias nas horas certas. Você sempre acerta, mesmo quando me diz que estou errada.

Sei pouco de você. Ao mesmo tempo, sei tudo. Você é uma parte minha que estava em outro lugar no mundo. Não sei o que me levou a te encontrar, mas o fez. E quando te imagino ai, no teu canto, na tua casa, na tua cidade, sinto um abraço apertado no peito.

Um dia você me falou sobre como nossa amizade te deixava atrapalhado. " Estou tão só que preciso amar alguém longe", você escreveu. Há momentos em que essa é a exata sensação que me aperta aqui. Sim. Estou tão só. Não me permito aproximações que julgue inseguras. Não me permito transparências e exposições. Mas, de repente, me abro para você. Abro a mente, o pensamento, os devaneios. E aí, eu me pergunto: estou tão só que preciso me abrir para alguém que está tão longe e que, na realidade, no mundo palpável mesmo, conheço pouco?


Sei lá se pensar isso tudo importa mesmo. O fato é que você acalma meu coração. Quase sempre. E entre meus amigos, hoje, você é um dos mais necessários. Só erra na distância e na falta de abraço. Vai ter que dar um jeito nisso, amigo. E logo!


Da Rapha.

21.4.12

Céu, Brasília e afins.



O céu. É ele que me motiva a existir no lugar onde sou.
Parabéns, Brasília.
Você é realmente linda!

18.4.12

É fácil pra você.

Para mim, não é.

16.4.12

Dos dias sem propósito.

Sabe aqueles dias sem propósitos? As horas passam lentamente para resultarem em nada importante. Tenho tido vários deles. Se agrupam em semanas. São as semanas sem função alguma. Você só tem que esperar para que a sexta-feira chegue e você finalmente se sinta menos só do que nos chamados ‘dias úteis’. Úteis para quem mesmo? Para mim é que não têm sido.

Hoje é segunda. O início de mais um ciclo vazio, que vai de nada a lugar nenhum. Faço uma lista de coisas a resolver nos ‘dias úteis’ que se seguem. A cabeça dói. O estômago embrulha. Meu corpo já sente que tempo demais é o mesmo que tempo nenhum. É como quando você coloca a cabeça para fora da janela do carro. Muito vento na cara. Ar em excesso. E o que acontece? Você não consegue respirar. É oxigênio demais para entrar nos seus pulmões.

As horas se acumulam como areia em uma ampulheta infinda. Cada grão cai lentamente, sem pressa de ser. Eu mergulho no tempo, ou melhor, sou jogada nesse mar de horas, sem escolha. E lá fico, inerte.

11.4.12


Monstros imaginários.

Não quero ser responsável pelos seus monstros imaginários.
Não quero.

10.4.12

São Paulo

Foto: Jéssica Raphaela


Foi andando pela Avenida Paulista que pensei no tanto de possibilidades que aquela cidade me oferecia. Foi ali, naquele ponto central, que eu quis chacoalhar a vida de um jeito que tudo mudasse. Soprar forte para que as coisas fracas voassem longe e que as fortes ficassem em seu devido lugar.

São Paulo me trouxe um ar de nostalgia. Mas nostalgia por algo que eu queria estar vivendo. É como se em um universo paralelo eu morasse lá. Aproveitasse as baladas da Augusta. Andasse pelo Parque Ibirapuera nos fins de semana. Trabalhasse feito louca de segunda a sexta. É como se lá eu fosse mais engajada na vida, se é que você me entende.

Aquele céu cinza nunca foi o que desejei pra mim. Mas, estranhamente, olhei pra cima e me senti parte de algo. Os prédios enormes. As pessoas andando. Carros, barulho. Vi beleza naquilo. Me senti pequena, sim. Mas me senti parte de uma coisa grande também. E foi bom sentir isso.

Sei que a grama do vizinho sempre é mais verde. Mas ando precisando pisar nela, senti-la nos meus pés pra ver se é diferente do que parece ser. Ando com umas ideias na cabeça e umas vontades no peito. Pernas prontas para andar, olhos no horizonte. Se me empurrarem, eu vou. O ideal era que eu mesma tomasse impulso. Veremos.

3.4.12

O trovão.

Está chovendo forte lá fora. Gosto do som das gotas batendo na janela. A chuva traz uma sensação triste, mas, ao mesmo tempo, boa. É como se o mundo mostrasse respeito por você não estar lá tão feliz.

O mundo gira rápido demais. Ultimamente, tem ultrapassado a velocidade permitida da via. Não tem sido uma zona segura e não sei por onde guiar meu carro. Dou voltas. E sinto que não chego a lugar nenhum.  Uma hora de cabeça pra cima, noutra de cabeça pra baixo.

Os raios fotografam-me sentada aqui na cama, do lado de dentro da janela. Os trovões são a voz do meu interior. Não entendo o idioma. Mas presto atenção. Deve ser algo realmente importante.

"O que você quer de mim, mundo?", grito quando o desespero bate.

"O QUE VOCÊ QUER DE MIM?".

Um violento trovão responde.

Não consigo decifrar a mensagem.

Sigo, na chuva, no meu silêncio.

26.3.12

Permissão negada.

Não tenho mais acesso ao que, de fato, me pertence.

Erro de conexão

Depois de dois dias sem falar com ele, liguei.
A operadora de celular logo se adiantou em informar:
"Erro de conexão".
Então, é esse o nosso problema? Essa é a causa do nosso desencontro? Logo ele e eu que sempre fomos tão conectados, sem ruídos e falhas.
Eu, que esperava por respostas há tempos, desisti de ligar novamente.

21.3.12

19.3.12

13.3.12

Eu não ia dizer. Ele disse.


Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor.
Eu tenho medo, merda!
Ontem chorei.
Por tudo que fomos.
Por tudo o que não conseguimos ser.
Por tudo que se perdeu.
Por termos nos perdido.
Pelo que queríamos que fosse e não foi.
Pela renúncia.
Por valores não dados.
Por erros cometidos.
Acertos não comemorados.
Palavras dissipadas.
Versos brancos.
Chorei pela guerra cotidiana.
Pelas tentativas de sobrevivência.
Pelos apelos de paz não atendidos.
Pelo amor derramado.
Pelo amor ofendido e aprisionado.
Pelo amor perdido.
Pelo respeito empoeirado em cima da estante.
Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa.
Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados.
Pela culpa.
Toda a culpa.
Minha. Sua. Nossa culpa.
Por tudo que foi e voou.
E não volta mais, pois que hoje é já outro dia.
Chorei.
Apronto agora os meus pés na estrada.
Ponho-me a caminhar sob sol e vento.
Vou ali ser feliz e já volto.

- Caio Fernando Abreu -

9.3.12

Não te enxergo bem.

Te vejo de longe. Sou míope. Sem os óculos, não enxergo bem. Por isso, chego perto. Mas você se afasta. Não te enxergo bem. Nada fica nítido. Perco os detalhes. Você está longe. É difícil te ver.


3.3.12

Da querida máquina de tortura.


Minha querida máquina de tortura. Foto: Jéssica Raphaela

Eu devia ter uns 13 anos quando peguei a gilette da minha mãe escondida e passei nas pernas. Tão novinha, já me incomodava o fato de ter pelos no corpo. Não lembro a razão do incômodo, mas ele existia. A questão é que eu sabia que em algum momento eu teria que começar a me depilar com frequência. Isso acontecia com toda mulher. Era um requisito para crescer. E eu queria ser grande.

Aqui no alto dos meus 22 anos, aproveitei a manhã de sábado para usar minha máquina de depilação. Eu precisava de um dia de SPA. Mas o fato é que eu detesto salões de beleza, então me viro por aqui mesmo. Quando tinha 17, meus pais me deram a máquina. Eu já tinha usado a da minha prima umas duas vezes e provei que era capaz de suportar a dor de ter meus pequenos fios de cabelo arrancados pela raiz.

Máquinas de depilação são torturadores corroborados pela sociedade. Mas o fato é que eu ficaria com a pele lisa por mais tempo e não teria que usar as lâminas que tanto irritavam minha pele. Mulheres aceitam a dor em troca da beleza com frequência e há séculos. Agradeço por não ter nascido em épocas mais duras para o sexo feminino. Além disso, sou incapaz de depilar com cera. Tentei uma vez e a sensação não foi nada boa. Preferi a máquina.

O meu pequeno aparelho é rosa, com um massageador que supostamente alivia a dor. Parece inofensivo. Mas não se engane. Dói... e dói com gosto. No começo, era música alta no som, muitos palavrões na mente, e umas três pausas com direito a uma caminhada pela casa. Com o tempo, você se acostuma com a dor e depila em questão de minutos. Nem sofre tanto mais.

Sim, eu faço parte da ditadura da beleza. Mas na ditadura branda. Me depilo porque Deus me livre de ficar com a perna cabeluda. Mas às vezes me dou o luxo de ser um pouco desleixada. Tem dias que coloco um jeans, uma camiseta e deixo a maquiagem no armário. O cabelo vai do jeito que eu acordei mesmo. Tem dias que respirar basta e me sinto bem apenas com o ar nos pulmões.

Mas aprendi que estar bonita faz eu me sentir melhor – desde que esteja confortável. Coloco um salto, um vestido curto, aproveito meus cachos para um penteado legal e passeio por aí. Aprendi a valorizar minha beleza. Aprendi a melhorar o que eu sou. Alguns sacrifícios são exigidos. Mas tento amenizá-los. Não faço nada só para caber em padrões de beleza (só às vezes, vai!), apenas quando esse padrão me agrada. Fujo deles o máximo que posso e me uso como ponto de partida.

Minha ditadura é consciente. Sempre reflito sobre ela enquanto minha maquininha da tortura arranca meus fios pela raiz. No final, aceito. A pele fica tão lisinha, sabe?! E é tão bom sair por aí mostrando as pernas.

2.3.12

Da companhia para minha solidão.

Na rua, ele me dá a mão. Passeia comigo por aí, sem pudor, sem vergonha. Senta comigo em um banco qualquer no meio da cidade, me faz rir, chorar, me deixa sem ar. O nome muda às vezes, mas é sempre ele, o livro, me fazendo companhia nos momentos mais necessários.

De um tempo para cá, aceitei minha solidão. Sou, por natureza, sozinha. Culpa da minha timidez, talvez. E fique sabendo que a solidão, quando não opcional, é bem cruel. Estar sozinha num mundo onde todos têm companhia é quase um castigo. Me cobro, por observar a felicidade alheia. Me cobro ousadia, extroversão. Mas não sou assim. E coisa difícil nesta vida é tentar ser o que não se é.

No meio da multidão, quem me abraça é a solidão. Mas o livro, que está ali ao meu lado, é quem me tira a preocupação de estar só. Com ele, a solidão é prazerosa. Aceito-me num mundo que mistura o meu e o de outros personagens. Ali parada, viajo a cem por hora em lugares novos, converso com pessoas que desconheço, faço novos amigos, me identifico naquelas criaturas fictícias, ou reais, dependendo da história.

Sento numa praça, pessoas vêm e vão. Eu fico parada. Observo. Gosto de observar. Mas quando olhar para o mundo me dói, recorro a histórias que não são minhas. Não são minhas em parte, porque, com o tempo, começo a vivê-las também. Aos poucos, as histórias se tornam minhas, ou eu me torno parte delas, não sei bem. Lá me refugio.

Do lado de cá, nem percebo que passei esse tempo todo só, ou melhor, perceber eu percebo, mas não me incomodo. Assim sigo, não mais sozinha, e sim acompanhada de mim mesma.

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17.2.12

Dos sonhos.

E aí ele surge nos sonhos bons mais uma vez, deixando a sensação de que meu coração já (re)encontrou seu canto.

11.1.12

Definição.

"Raphaela, (...) a gentileza em pessoa, e o desespero também".

Me definiu. Eu concordei.

9.1.12

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Quando o corpo padece.


Quando ela pensa que tudo vai dar certo, a vida desanda. As lágrimas já estavam a espreita no exato momento do sorriso fresco. O mundo dá voltas. Ela não consegue se mexer. Projeta a mente. Projeta a alma. O corpo, por sua vez, padece.

É na tristeza. É ao lamento que ela pertence. Não há saída. Desiste, menina!

3.1.12

Eu e a solidão.

Sempre tive um pedaço de solidão em mim. Um pedaço que às vezes é bem farto. Em todas as ocasiões.

Estou no meio da multidão, braços cruzados, boca fechada, sorriso acanhado. Me esforço por espaço, pra mim e pra ela, a solidão.

Estou com os amigos, sorriso sincero, voz abafada, mal estar, fico deitada. Me abraça, a solidão.

Estou em casa, portas fechadas, música alta, vozes lá fora, lágrimas aqui dentro. Seca meu rosto, a solidão.

Eu no cinema, eu no meu carro, eu de mãos dadas.

É sempre ela, a solidão, que me ampara. Debocha de mim dizendo: "olha você sozinha de novo". Me prova que, no fim das contas, estamos só eu e ela, pois os outros não se importam mesmo.

Me faz companhia, que contradição. A única que não me abandona: a solidão.

31.12.11

Adeus, 2011.

Eu estava pensando no que escrever sobre 2011. Foi um ano confuso. Não consegui chegar a conclusão se foi de fato um bom ano. Não foi o melhor. Mas teve um dos melhores momentos da minha vida. E quer saber, me diverti um monte. Sofri um monte também, mas olha só eu inteira aqui, de pé como deve ser.

Começou com um mês que mudou tudo. Erros e acertos. O velho e o novo. Eu ainda estava na faculdade (parece que faz tanto tempo). Pesquisei meses para a monografia. Enrolei. Escrevi-a em duas semanas. Fui aprovada com nota máxima por professores que realmente considero importantes. Me formei em Jornalismo. Caramba! Eu me formei! Antes disso, estagiei na Câmara e saí de lá por uma escolha ruim para um lugar que não gostei muito. A gente não pode prever as coisas. Uma pena. O estágio acabou, fui fazer cursinho pro concurso da EBC. Não passei. Não estudei como deveria ter estudado também. Mas perdi alguns fins de semana assim. Na verdade, não foi perda, prefiro pensar assim.

Viajei pro Rio à toa com o Rafa. Foi ótimo e definiu muita coisa. Passei um longo período em casa, sem emprego, sem dinheiro. Coloquei minha expectativa no show do Pearl Jam. Apostei na felicidade certa. Meu Deus, como eu fui feliz no Rio de Janeiro. Chorei em Better Man. Sorri em todas as outras. Eu não acreditava que estava ali, no meio daquela cena que faria parte do resto da minha vida. Meu Deus, como eu fui feliz! Me diverti na praia de um jeito diferente, com gente de sempre, com gente que está na minha vida há tanto e vai permanecer lá por tanto também. Voltei pra casa com vontade de ir embora. Briguei com minha cidade, ela não me queria, nem eu a ela. Comprei ingressos pro próximo show da minha vida, mas esse fica pra 2012.

Tanta gente boa. Algumas decepcionantes. Amei durante todo o ano. Achei que tinha deixado de me apaixonar, mas errei. Continuo aqui, com o coração entregue, tentando mantê-lo inteiro, fortalecê-lo. Se estou fazendo as escolhas certas? Talvez sim, talvez não. Mas estou tentando ser mais moderada desta vez, mais cuidadosa, mais delicada. Coisa que o ano não foi comigo, foi bruto, feito uma montanha-russa. Oscilando entre intensas emoções boas e ruins. Ano safado!

Mas sabe o que mais importou nisso tudo? As pessoas. Eu não sou muito de pessoas, confesso! Me sinto por fora do mundo às vezes. Mas sem algumas delas, seria o mesmo que nada. A essas eu agradeço pelos 365 dias. Em alguns eu estive sozinha, mas aliava saber que eu teria companhia de quem gosto nos dias seguintes. E aí, eu tinha a garantia de que tudo ficaria melhor.

Pro ano que vem, nenhuma promessa. Juro que não tenho promessas! Só a expectativa de ser melhor, uma pessoa melhor, sempre!

28.12.11

Guarde esse amor.

Livre Como Um Deus by Nando Reis on Grooveshark 

 A vida anda confusa. Ela tem que fazer escolhas que não se sente apta a fazer. Escolhas pro resto da vida, quando ainda se sente uma criança brincando de faz de conta. "Ah, se a vida fosse só um faz de conta", ela pensa.

E como ela pensa. A cada segundo ela reflete sobre o que pensou há um segundo atrás. Talvez, o certo fosse não pensar tanto assim, agir com o que se sente e ponto. Talvez, não. Ela sente falta de alguém que diga pra ela fazer isso, ou aquilo. Ela não é mais a criança que se sente. É totalmente responsável pelos próprios atos. Ela vai responder pelo que venha a acontecer depois.

Isto é o problema: o medo de errar. E, às vezes, ela sente que está sempre errando. Cada escolha errada constrói mais um caminho doloroso. E ela não quer mais dor. Ferida sobre ferida. O coração arde. Parece estar queimando. Ela mesma colocou fogo, no lugar errado. Se ninguém pode escolher por ela, sente falta de um bom conselho, daqueles que esclarecem todas as dúvidas. Ela ouve dos amigos o que o próprio pensamento já a alertou. Ouve, fala, reflete, não sai do lugar.

Mas a vida não espera. A vida não tem pena, nem coração. Ela simplesmente segue no tempo. E o tempo pode ser cruel. Mas também pode ser renovador. E assim, ela escolhe sem escolher, aposta no acaso, na sorte, que outrora foram tão solidários com ela. No amor também! Ela aposta no amor. É nele que ela se apóia. No amor mais forte do que o tempo, do que a dor, do que a vida. Maior que a vida. Se o amor é tão grande assim, é ele que vai dar as cartas.

Por enquanto, ela segue cuidando do coração, preparando o peito. O medo de estar errando sempre por perto, mas a vontade de acertar também!

"Erros e acertos são filhos do mesmo pai"

26.12.11

Da distração.

Ela pega o rumo, a trilha, e segue.
Mas lá pelo meio do caminho, se depara com uma distração.
Muda de direção. Se perde.
Sem bússola, anda em círculos.
Presta atenção, menina. Uma hora dessas você chega onde não quer chegar.

22.12.11

O que se passa?

Não sei o que se passa.
Na verdade, não é algo que passa. É algo que fica. Insistentemente fica.
Eu não quero mais lutar.
Acho que vou me render. Será?

17.12.11

Quase sempre.

Quase sempre, me sinto só.
A sensação é a de que o mundo conspira contra mim.
Paranoia ou não, verdade ou não, a sensação é bem real.
Fico aqui, comigo, cuidando das virtudes que só eu noto.
É assim, quase sempre.

11.12.11

Mania de explicação - Adriana Falcão

9.12.11

Saudade.

(os textos pela metade não são suficientes pra você entender a falta que me faz).

4.12.11

Sobre te amar.

Seu cheiro já faz parte da minha pele. Há muito tempo até, mas agora o sinto com mais frequência.
Seu abraço. Eu caibo no seu abraço de um jeito que não caibo em nenhum lugar neste mundo.
Sua falta é gritante. Ela dói em mim como uma ferida recém conquistada. Mesmo estando presente há mais de meses, há mais de um ano.
Você. Como eu amo você.

2.12.11

As pazes.

Ok... às vezes eu faço as pazes com Brasília.
Ontem voltei pra casa com o sol se pondo. Que felicidade de ser daqui.
Hoje, me aparece esse vídeo:



Com Brasília é amor.
filme turismo brasilia from cesar netto on Vimeo.

30.11.11

Do mar.

Às vezes, ouço o som do mar no pensamento. Sinto o cheiro, a brisa. Às vezes, mergulho na lembrança. Passeio de bicicleta na vontade. Caminho na calçada à beira do desejo. A areia nos pés, às vezes sinto, e sinto com força, sinto com a força de quem prevê um futuro querido.

Querido sim, e é duro assumir. A menina do Cerrado cansou do Planalto Central. Ou o Planalto Central cansou dela, não se sabe bem. A questão é que o velho amante que ser esposo e o atual esposo já não faz tanta questão do posto. O relacionamento está complicado.

Meu casamento de 22 anos com Brasília está ruindo, enquanto a paixão pelo litoral pega fogo aqui dentro. São os sussurros ao pé do ouvido, esse som acaba comigo. Se o mar me quiser, é pra lá que vou. E vou com gosto.

Sem dizer adeus.

Sem Dizer Adeus by Moska on Grooveshark


Eu
Chorei até ficar debaixo d'água
Submerso por você
Gritei até perder o ar
Que eu já nem tinha pra sobreviver (Eu andei...)
Eu
Andei até chegar no último lugar
Pisado por alguém
Só pra poder provar
O que era estar depois do final do além (Eu andei...)
E cheguei exatamente onde algum dia
Você disse que partia pra nunca mais voltar
E eu já estava lá a te esperar sem dizer adeus
Eu
Fiquei sozinho até pensar
Que estar sozinho é achar que tem alguém
Já me esqueci do que não fiz
O que farei pra te esquecer também?
Se eu não sei o nome do que sinto
Não tem nome que domine o meu querer
Não vou voltar atrás
O chão sumiu a cada passo que eu dei (Eu andei...)

27.11.11

Você me bagunça.

Você me bagunça by O Teatro Mágico on Grooveshark

Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu sim
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
E ainda joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim

Assimila, dissimula, afronta, apronta, diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços
Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você
Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia
Outro "porquê"

Parece que o coração carece e diz: "pára!" Silencia.
Se embrulha e se embaralha,
Reconsiderar o ar, o andar , nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amorizar o dia, fio, corredor, a calçada, o passeio e a sala
Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo

Difícil precisar quanto preciso

25.11.11

Chuva II.

Olha o céu vermelho, chorando mais uma vez.
Não sei quem chora mais, se é ele ou se sou eu.

20.11.11

Eu te amo.

Ops... escapou!

15.11.11

Do casório.


www.wildflowersphotos.com

Eu vou casar com um buquê de girassol na mão. E da igreja pra festa, que vai ser ao ar livre pro pôr do sol ajudar na decoração, vou subir na moto do meu futuro marido. Vai ser um casamento bonito!

14.11.11

Do grito.

Aí surge essa vontade louca de gritar que te amo.

12.11.11

Das reflexões de uma sexta à noite.


Chego em casa, tudo escuro. Fecho a porta do quarto, tiro a roupa e reflito sobre o dia, sobre a vida. Tanta coisa acontecendo e, ao mesmo tempo, não saio do lugar. É como naquelas cenas cinematográficas, quando o mundo se movimenta numa velocidade acelerada e o personagem, por sua vez, fica lá, parado.

Os dias voam, mas ando tão devagar no meio deles que a sensação é a de que não passam. Faço algo pela manhã de um dia qualquer e à tarde tenho a impressão de que o acontecido foi há dois dias.

O tempo nunca caminhou de forma tão irregular na minha vida, a passos largos, em câmera lenta, voando a jato...  Um verdadeiro barco à vela em alto mar, oscilando entre tempestade e calmaria, num período de 24 horas.

E assim sigo. Cama bagunçada, o violão no meu lugar de descanso, roupas no chão. Tento me encontrar nessa zona toda, mas me perco a cada minuto. A vontade é de fugir de mim. Sabe quando você fica muito tempo com uma pessoa e, de repente, não a suporta mais? Então... Tenho passado tempo demais comigo mesma. Preciso de férias, férias de mim.

10.11.11

Do coração.


No meu peito bate um coração sincero. É certo que às vezes mente, às vezes age sem pensar e acaba fazendo besteira. Mas a meta dele é acertar, não perder o compasso, é acertar o fluxo e manter o controle.

Ele é musicado, meu coração. Dança um sambinha nas batidas que ressoam pelo corpo. Quando entra em descompasso, parece jazz. Quando a tristeza bate, toca um choro daqueles bem tristes. Na felicidade, se torna uma virada de bateria de um rock`n`roll.

Esse coração que me controla. Tem nome e dono. Tem preferência pela vida. Composto de amor. Esse coração audacioso, que sempre me deixa sem graça, que corre pro furacão em busca de calmaria. Coração maluco. Sabe o que sente, mas faz questão de manter segredo.

3.11.11

Da batalha contra as formigas.

Há uns meses, vi uma formiga bem grande no meu banheiro. Pensei: "deixa ela.. deve estar perdida". Então, deixei. No outro dia, a formiga voltou. Tenho quase certeza de não ser a mesma, mas não sei porque razão cismei que era. A deixei inteira mais uma vez, comecei até a criar uma certa relação carinhosa com ela. Seguiram-se dias da mesma forma. De repente, minha formiga aparece com duas amigas. "Pô", pensei, "tá começando a abusar!". Mas passou.

No outro dia, tinha uma comunidade de formigas no meu banheiro! Elas estavam em todos os lugares, as malditas! Me senti traída. Aquela primeira formiga devia ser a exploradora. Deve ter pensado: "essa humana aí é inofensiva. Vamos invadir e tomar o território dela". Eu não tinha muito o que fazer. Comecei a matá-las indiscriminadamente. Era chinelada para todos os lados. Eu tinha que defender meu terreno, me entenda!

O pior, é que depois da matança, ao entrar no banheiro, tinha formigas vivas carregando as mortas. Devia ser para o funeral. A data deve ter se tornado feriado no mundo das formigas. 

Fiz isso por mais uma semana, mais ou menos, até que elas foram evacuando o local.

Pra última, eu disse: "Vá, e avise suas amigas que vocês não são bem-vindas nesse banheiro".

Ela foi e nunca mais voltou.

Eu venci. Há!

31.10.11

Invenção.

Ás vezes me pego acreditando na história que você me contou, aceitando o convite, planejando os dias que viriam. Daí, lembro que era tudo uma invenção. Fico com essa sensação estranha de ter vivido outra vida, de ter tido outra história. Parece que perdi algo. E eu perdi, não é?! Nós dois perdemos.

29.10.11

Expectativa vs. Realidade

Mais uma pra ilustrar minha vida.

O combinado.

Segundo o que combinamos, eu deveria estar com você agora. Amanheceríamos juntos na cama que deveria um dia ser nossa. Você me faria um cafuné com suas mãos que já me pertencem. Eu te abraçaria com minhas pernas que já são suas. Riríamos de uma bobagem qualquer. Comeríamos aquele morango com chocolate que gostamos tanto. Seria uma noite linda, recheada de felicidade, daquela que a gente sabe construir tão bem.

No entanto, estou aqui, sozinha, na casa vazia. Estou aqui me conformando com a realidade a qual eu pertenço agora. Ouvindo incessantemente a mesma música que por alguma razão não me sai da cabeça. Tento me livrar dos seus carinhos imaginários, desviar das palavras doces que eu gostaria de ouvir.

A solidão é a única a me fazer companhia hoje. Não foi o que combinamos, mas é o que eu tenho, então tenho que aceitar. Tenho que aceitar não só pra hoje, mas pros dias que se seguem.

Eu deveria conseguir ficar longe de você, mas assim como você não sou a única que descumpre o combinado. 

28.10.11

24.10.11

Ela não consegue se perdoar.

Depois de um sonho ruim, ela acorda com toda a culpa novamente. Pensa e repensa os erros. Se arrepende. Se castiga de novo. Ela não consegue se perdoar.

Cobra força de si. Se força a levantar da cama. Exige de seu corpo vontade para se mover. O céu cinza. O dia gelado. Veste uma roupa quente. Toma um café para aquecer a garganta machucada.

Ela não deu bom dia ao dia. O dia também não fez questão de fazer isso. Os dois estavam com um péssimo humor. Nenhum tinha pedaços de azul no céu. Só a cor cinza e vontade de chover, de botar pra fora as aflições.  

As palavras que leu na noite anterior saltam em sua mente. Novos erros justificados por velhos erros. Que tipo de parâmetro é esse?

Enquanto ele não a perdoa, ela não consegue se perdoar.

Remember me.




Try your best.

15.10.11

Even though, I'm feeling lonely


Even Though - Norah Jones

Something 'bout the way he touched me
Was so slow
The way he put his arms around me
Even though

I'm feeling lonely
I'm feeling lonely

Don't understand the words he said
Made me do wrong
But now there's nothing else in my head
And though it's strong
I wish he'd leave me alone
I wish he'd leave me

Cuz I know
Trouble will follow
But I have to go
I have to go

Cuz I know
Trouble will follow
But I have to go
But I have to go

It makes me think that I don't know me
So unsure
When I remember all the things he showed me
And I want more
I'm feeling lonely
Oh I'm feeling lonely

14.10.11

Abraço de Deus.

Deus se manifesta das formas mais singelas na minha vida. Às vezes é uma brisa no rosto, um céu bonito nos olhos, um cheiro gostoso no nariz, uma música suave nos ouvidos...

Mas uma das formas mais fortes é por meio das pessoas. O carinho, o sorriso, o olhar. Sempre tenho a impressão de que é Deus falando. É Deus presente.

Hoje, Ele me abraçou. Me apertou bem forte nas palavras de um amigo. Me abraçou pra mostrar que eu não estou sozinha, que jamais estarei.

Difícil falar sobre isso. Fico toda sensível. Depois das palavras, chorei feito criança. E só conseguia pensar: "obrigada, Pai".

Deus me abraçou hoje. E foi um dos abraços mais bonitos que já recebi.

10.10.11

Da possibilidade do Amor.

O que faz um homem se ele perde a tranquilidade no peito?
Sem motivo pra prosseguir sem vontade de desistir
O que faz um homem quando tudo na vida perde a importância?
Hoje ou amanhã quando nele não há mais força para resistir

Peça Cartas de Amor                                                  

Oi Raphaela

Ele me chama de Raphaela.
Me dá a sensação de que posso ser alguém diferente, mesmo ainda sendo eu.
Eu gosto disso.

7.10.11

Amor.

Foto: Jéssica Raphaela

E acredito no amor.
Acredito no casamento.
Na vida a dois.
No respeito.
No carinho.
No cuidado.
Eu acredito que tudo pode ser real, sem utopia, sem conto de fadas.
Desde que haja amor.

5.10.11

Do ciclo.

Antes, aperte o play.



Nossa história é cheia de movimentos cíclicos. Alguma coisa aconteceu em um determinado tempo e espaço e criou essa situação trágica na qual tudo se repete, porém cada um em uma posição diferente.

No dia 16 de abril, você ouviu uma música que te disse muita coisa sobre aquele momento. “Sentimentos íntimos colocados em verso por outra pessoa, isso costuma acontecer bastante comigo”, você escreveu. Nisso somos iguais.

Cerca de seis meses depois, após me frustrar por não receber nenhum sinal seu, reli o que você escreveu. Lá estava a canção, falando novamente sobre nós. Mas o personagem dessa vez era eu. “Pouco a pouco fui entendendo a letra, e em cada verso vinha uma situação minha”.

I still press your letters to my lips
And cherish them in parts of me that savor every kiss
I couldn't face a life without your light
But all of that was ripped apart... when you refused to fight.

Da mesma forma que você descreveu, achei incrível ouvir tudo o sinto na voz de outra pessoa. Alguém que nem imagina minha existência.

Você desaparece. Eu sofro. Mas a verdade é que nem me posso dar ao luxo de sofrer por isso mais. Você foi para longe. Não tenho o direito de saber onde está, como está. Sofro toda vez que abro a caixa de e-mail e seu nome não está lá. Sofro quando te vejo dispensar atenção com outros, quando o celular toda e não é você. Sofro por você não estar aqui. Mas sofro sem te perturbar, que é pra colocar um fim nesse ciclo idiota no qual entramos.

So if you love me, let me go
And run away before I know
My heart is just too dark to care
I can't destroy what isn't there
Deliver me into my Fate
If I'm alone I cannot hate
I don't deserve to have you...

4.10.11

Entendi.

Hoje fui explicar o que aconteceu e pela primeira vez, ali, ouvindo da minha própria voz, entendi.

Eu era completa, mas por outra pessoa. De mim mesma faltava uma parte, um pedaço maior, um pedaço essencial. Quando ele levou embora a parte que me mantinha inteira, fiquei perdida. Andei sem saber para onde ir. Em partes soltas, em pedaços.

Aos poucos fui preenchendo o que faltava em mim. Coloquei alegrias, tristezas, força, e fui construindo no espaço vazio, me apoderando de mim. Percebi que fazia mal abrir tanto espaço em mim para outrem. Então, decidi pensar somente em mim.

Só vi o equívoco depois de um tempo. Não é correta uma atitude tão egoísta. Eu tenho que estar completa de mim mesma. Mas, nem por isso devo pensar somente no que eu sinto. O que as outras pessoas sentem também faz parte de mim. Elas me fazem.

Estou perdoando meus pecados, ajustando minha conduta, procurando evoluir sempre. E assim sigo.

Romance.




Sim, eu adoro esse filme. Romance, para quem não sabe. Exatamente essa palavra.

1.10.11

Buraco.


Só sobrou um buraco no mural. Não vai ser preenchido até que eu tenha certeza. 
Acordei com raiva hoje. Eu a odeio. Você deveria saber.

O buraco na parede é só uma representação do vazio que tenho dentro de mim.
Você não está aqui. Mas seu espaço ficou.
Só não sei até quando.

30.9.11


Pra cima.


Olhei para cima sem intenção de ver nada. Lembro de suspirar um suspiro tenso, de quem sabe que ainda tem muito o que aguentar.
Olhei para cima e vi um buraco no teto. Foi como se eu caísse pro alto.
A sensação não foi boa. Saí machucada da queda. Infelizmente, não caí em núvens.

28.9.11


Atrás da porta

Ás vezes, algumas músicas que não ouço há tempos surgem na minha mente.
No meio da tristeza que vivo, as ouço. E dói. E choro.
Dizem tudo sobre mim.

Hoje foi a vez de "Atrás da porta", do Chico, mas na voz da Elis.
Procurei a letra no Google.
Quando terminei de ler "só para mostrar que ainda sou tua", o frio na alma. A sensação do desespero.

Não sou sua guria. Não quero ser nada que não o seu amor.





Tem horas que eu me odeio sem você por perto.

27.9.11

Mariposa.

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Essa vida é muito imprevisível.
Fui dobrar as roupas que minha mãe tirou do varal. Peguei uma blusa e quando a sacudi saiu uma mariposa. Ela ficou alguns minutos no chão parada e finalmente foi em direção à porta, queria a liberdade de novo. Quando chegou na área de serviço, veio um pássaro e... nhac. Já era a mariposa. Coitada.
Imprevisível mesmo essa vida!

26.9.11

Rilke escreve pra mim.

O Rilke escreve pro Pedro:

"O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo, e eu gostaria de te pedir da melhor maneira que posso, meu caro, para ter paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração".

Então, eu chorei.
Acho que, na verdade, o Rilke escreve isso pra mim.

Chuva.

Claro que choveu.
É o mundo chorando nós dois.

23.9.11

Desejo.

Tenha bons sonhos, sempre.

19.9.11

Eles sabem.


- Eles sabem como eu amo os seus lábios -
                                                                     Nando Reis

17.9.11

Frio.

Não se preocupe com o frio que sinto por fora.
É o frio interno que você deveria aquecer.

16.9.11

Da morte pra vida.

Lembro de pensar que aquilo que eu estava fazendo era suicídio.
Lembro da voz na minha cabeça: "Eu estou me matando. Mas é pra viver de novo"
Viver o novo.
Não vivi.
Às vezes ainda tenho a sensação de estar morrendo aos poucos.

14.9.11

Agora.


A casa vazia. O pensamento cheio. O espaço sonoro tomado por um violino feroz. Eu sozinha. A casa bagunçada. O som do silêncio. A paz que não tenho. Os movimentos do corpo. A alegria inesperada. O calor de sempre. O medo da solidão. A vontade do conforto. A vontade do desconforto. A tristeza súbita. A saudade alta. O descontentamento. A força abalada. Os pensamentos em texto. Os sentimentos no peito. O som do violino. A casa vazia.


9.9.11

Escrevi pra você. Depois de tanto tempo.


Quando você diz que sim, te amo logo de cara.
O seu olhar é claro. Ilumina meus pensamentos, que há pouco andavam no escuro.
É difícil rememorar. As lembranças se misturam nos anos que decorrem. Tantos anos. Tanto tempo. Tanto de nós nesse mundo enorme que é nosso.

Você diz sim e eu coloco o vestido que você tanto gosta. Sei que gosta de qualquer um, desde que minhas pernas fiquem de fora. Desde que deixe evidente a tal sensualidade que você insiste em dizer que tenho e eu insisto em dizer que é puro engano seu. Puro engano de olhos apaixonados.

Ai, seu olhar em mim! É incrível a sensação de se sentir especial para alguém. Os seus olhos me fazem sentir assim. Isso me alimenta a alma.

Mas com você aí longe, com seu olhar distante de mim, fico com o espírito faminto. A fraqueza ataca. O corpo não responde. Nosso enorme mundo fica pequeno pequeno.
Fico sem seu sim.
Você fica sem mim.

A única coisa que fica grande é a saudade. Essa parece que recebeu fermento na receita.

7.9.11

Balões.

Ta aí uma coisa que eu achei bonita.
Fiquei rindo sozinha no carro, igual criança.
Gosto das coisas que me fazem sentir assim!


6.9.11

Das palavras que não saem.


Estou com um monte de palavras presas na garganta.
Mas elas não se manifestam.
Só me sufocam.

5.9.11

Das cartas no lixo.


Ainda acho que cartas de amor nunca deveriam acabar no lixo.
É um pedaço de quem escreve e um pedaço de quem recebe que vai embora.
A falta do pedaço deixa exposto tudo que dói.
E como dói.

5.8.11

No chão. No quarto.

Faz tempo que não sento no chão do quarto e penso sobre a vida. Faz tempo que não mexo em meus papéis, que não releio sentimentos e concluo como a vida dá voltas.

Hoje eu fiz. Aliás, estou aqui, sentada no chão do quarto como fiz durante a adolescência inteira. Esqueci como é bom, como organiza o pensamento. Nem me lembro em que momento parei de fazer isso. Mas faz alguns anos já.

Às vezes penso em como, aos poucos, me torno exatamente aquilo que, quando criança, prometi para mim mesma que nunca seria. Estou me tornando uma daquelas pessoas que eu jurei nunca ser. Nos escritórios, no trânsito, na má vontade, nas contas, no mundo pequeno. Antes eu queria mudar o mundo. Hoje, não consigo nem mudar meus hábitos.

Mas agora, no chão do meu quarto, onde já chorei, já sonhei, já gargalhei tantas vezes, me lembrei um pouco de um monte de coisas que eu sentia.

Música no som, pensamentos soltos no quarto, sentimentos espalhados em papéis.
Gosto disso.
Não vou mais esquecer.




Juro!