18.5.13
15.5.13
12.5.13
Sai, silêncio.
Eu queria dizer bem mais do que tenho dito. Eu queria jogar as palavras na mesa, publicá-las no outdoor. Estou engasgada. Na ânsia de dizer, fico calada. Guardo no pensamento e tranco com um cadeado o qual nem a chave eu tenho. Eu queria dizer mais, vomitar os sentimentos. Eu os contenho. Do amor ao ódio. Os silencio em mim.
Se escrevia com constância, já não faço mais. Não por falta de tentativa ou vontade. As frases andam soltas na cabeça, em um trânsito caótico, esbarram umas nas outras, se misturam. Mas quando paro em frente à folha em branco, elas param, brincam de estátua. Alguma energia cósmica as congelam. Ou algum transtorno psicológico, um bloqueio criado por mim mesma. Ou, quem sabe, medo de julgamento externo, o que é bem possível.
Muitos me buscam nas minhas palavras. Me leem por meio delas. Os pobres termos, que são apenas conjunto de sons articulados, de uma ou mais sílabas, ficam sobrecarregados de significação. É muita responsabilidade para desabafos publicados sem edição de alguém capacitado. E outra: não se edita sentimentos. Apenas se escancara ou se guarda em segredo.
Tenho preferido esconder os meus. E já erro ao dizer aqui, publicamente, que os guardo. Mas prefiro dessa forma. Quero falar das coisas bonitas que sinto sem me importar demasiadamente com quem está lendo, se isso os fará feliz ou tristes. Já as coisas feias, um dia precisarei escrevê-las. Dos sofrimentos alheios. Das coisas que não consigo aceitar. Até os meus próprios pecados. Já não há lata de lixo suficiente para tanta sujeira que acumulo na lembrança.
Por ora, apenas preciso dizer que ando guardando palavras. E com elas, sentimentos e conclusões. Logo me retiro desse voto de silêncio involuntário e deixo essa agonia secreta se esvair, virar poeira, sumir no vento e só.
17.4.13
Vida. Música. Dança.
A graça da vida é colocar música no som logo de manhã e permanecer sozinha em casa sambando de pijama até o meio dia. A vida tem desses momentos sublimes, em que ninguém te vê e você consegue se ser por inteiro. Independe de motivos para felicidade e tristeza.
No limbo dos sentimentos, na confusão dos acontecimentos. O som ecoa pela sala, adentra os ouvidos, mexe o corpo, sacode os pensamentos. A vida acontece de graça, quase sem querer, nesta quarta-feira.
Obrigada pelo corpo que insiste em cumprir as funções vitais, escolho a música para me manter de pé, em movimento. Mesmo que desajeitada, sigo o tom que a vida escolhe, sigo o ritmo, fecho os olhos e danço.
Que as notas nunca faltem. E que eu nunca perca a vontade de executá-las.
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4.4.13
We belong together.
A música na voz de Eddie Vedder. A lua cheia no telão. Eu pensei nele. Sei que ele também pensou em mim. Eu sei. E é tão fácil sentir.
23.3.13
12.3.13
Me sou.
Não sou desinibida. Tenho problemas de sociabilização, nada grave, mas eles existem e me afastam de bons momentos com pessoas. Se me cobrei ter amigos a vida inteira, hoje me dou ao luxo de ficar sozinha. Mas a verdade é que não me sinto constantemente confortável.
Deparo-me com o mesmo sentimento infantil de quem não arranjou um melhor amigo na primeira semana de aula. Cultivo o comportamento adolescente e rebelde de quem senta no canto-fundo da sala para observar todos e não ser observada por ninguém. Me sou, assim, de um jeito que me irrito às vezes.
Sou espectadora da felicidade alheia. A minha, guardo contida e dou como um tesouro para quem a quer compartilhar comigo. Me sou, secreta, sem balbúrdia e alvoroço. Me sou com os poucos que me abraçam. Sou os abraços que me faltam, da amiga que preferiu me abandonar pelo novo namorado. Nem era uma competição, era eu e ele, não eu ou ele. Gosto de soma, mesmo não sendo boa em matemática. Somar alegrias me parece bom.
Sou a saudade das ligações sem objetivo, 'só para saber como você está' e das 'só para mandar um beijo'. Não entendo a mágica que acontece, o beijo percorre os cabos telefônicos e estala na bochecha. Faz tempo que essa magia não acontece. Me sou na vontade de ter meus pais como companhia, vontade nova, que me remete ao tempo que me sentia insegura ao não tê-los ao alcance da vista. Sou de novo aquela criança chorando no meio do supermercado, sem saber que a mãe está ali, logo no corredor vizinho, escolhendo o saco de arroz para os almoços do mês.
Dos potenciais amores que vêm e vão, nenhum fica, nenhum amadurece. O que permanece é o sentimento que nasceu aos 16 anos, quando gostar era fácil, quando amar era suficiente. Esse é o tal do amor para a vida toda, que não se atreve a me deixar sozinha no mundo, nunca.
5.3.13
Dualidade.
Pensar em você é ter alegria e tristeza constantes, que convivem, disputam espaço em mim. Sorrio de leve e logo os músculos do rosto param de se contrair, o sorriso se esvai. Às vezes, é o contrário, a tristeza vem primeiro, mas um detalhe me faz contente.
Sou feliz por ter tido você comigo. Sou triste por não ter mais. Me perguntou o tempo todo em que esquina deixei esse negócio tão importante entre nós cair. Lamento. Sinta falta do que éramos. Saudade do que não somos mais.
28.2.13
Te leio.
Odeio esses tais pressentimentos que eu tenho. Porque eu sei, eu sei que estão certos. É como se eu já tivesse vivido o mesmo roteiro umas três vezes. Adivinho a próxima fala, o próximo ato. O instante seguinte se faz tão óbvio, mesmo que logicamente não pareça. Sei a sensação que me acomete antes de um transtorno. É ela que me dá a (quase) certeza de que vai dar errado, vou me decepcionar, vai ser uma merda, tudo, outra vez.
Eu sei, sabe?! É bem assim, no detalhe. Na palavra, que ali no contexto nem é tão importante. Mas sozinha, diz tudo, em cada vogal e consoante, em cada sílaba que se forma. Juntas dão sentido ao que não é visível no dia a dia. É ali, no piscar de olhos, no desvio de olhar, no movimento das mãos em direção à cabeça... É ali que prevejo o logo mais.
Não é preciso ser vidente. Basta saber ler os sinais. E mesmo sem ter me alfabetizado nesse idioma, percebo, pressinto.
23.2.13
12.2.13
10.2.13
Colore meu dia. Me acorda.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
- Lenine -
Numa sequências de dias pesados, cinzas e, aparentemente, despropositados, surge um momento às avessas. Instante revolucionário, colorido, me liberta a alma. Saio da tristeza como quem acorda após uma noite longa de pesadelos.
Acordo e vejo: a vida não é um desses sonhos azuis com flores, mas ainda assim é bonita. Há um céu claro pela janela. Abro a persiana. Abro o peito. Abro a porta e saio. A grama é verde. A alegria gratuita se faz tão óbvia. Meu Deus, que bom que acordei. O sono denso não estava confortável. É a vida que eu quero. Está decidido e pronto.
30.1.13
Da paixão.
E foi lendo Carpinejar que me convenci que ele não está nem perto de estar apaixonado.
Foi relendo que entendi quem é louco por mim.
Foi relendo que entendi quem é louco por mim.
7.1.13
Desapego.
Sem ter noção do tempo, viveu com desapego à vida.
O momento.
Era dele que se alimentava com porções fartas.
Uma pequena aventura na mata. Um breve cafuné de um amigo. Um sorriso desconhecido num bar.
O único apego que teve, até a morte, era o desapego.
Amou cada instante, e foi feliz.
O momento.
Era dele que se alimentava com porções fartas.
Uma pequena aventura na mata. Um breve cafuné de um amigo. Um sorriso desconhecido num bar.
O único apego que teve, até a morte, era o desapego.
Amou cada instante, e foi feliz.
3.1.13
Seu amigo e seu bem.
"Se essa Lua fosse minha, ninguém chegava perto dela
a não ser eu e você "
Comigo - Zeca Baleiro
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Falta você no céu.
Deitei no banco do quintal escuro. Emoldurei o céu. Não havia lua, ela não quis aparecer. Algumas poucas estrelas me fizeram companhia. A sua estava lá, brilhando como sempre. No dia que você me deu a lua de presente, te retribuí com a estrela mais brilhante do céu, não importava qual fosse. Se só houvesse uma lá no alto, ainda assim você teria o seu presente, para sempre.
Eu olhei para o céu e entre a raiva e a agonia, a tristeza quis me fazer chorar. Pois bem, não chorei. Não quero chorar por algo que eu já esperava acontecer. E, embora a vontade de deixar as lágrimas caírem fosse grande, algo as impediam de descer olhos abaixo. Eu olhava para cima. Te busquei no alto. Você não estava lá. Apenas a estrela que te dei. Ela ainda é sua, e sempre será. A lua já não deve ser minha. Você a deu para outro alguém.
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