28.5.12

Leve.


Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve
Não me leve a mal
Me leve apenas para andar por aí

Chico.

16.5.12

Do sonho colorido.

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www.weheartit.com - postado por /artedorafa


Deitou na cama, fechou os olhos e mergulhou num sonho rosado com gosto de suspiro. Caiu de nuvem em nuvem buscando o chão. Na falta, caminhou por entre raios amarelos de um céu azul. Um pássaro lhe disse: “voar é diferente de andar. Bata as asas juntas que é para não despencar”. E assim, aprendeu, depois, é claro, de tropeçar em vários balões.

As cores eram vivas, assim como era vivo seu corpo. Mais vivo do que jamais fora. Pulsando luz, exalando raios. Era ela num mundo mágico, que, por ser sonho, só a ela pertencia. “Um mundo só meu? Então o pinto das cores que eu escolher”. E aí, abusou na aquarela, com tons quentes e radiantes. Porque, embora no mundo real fosse inverno, no sonho, o verão parecia bem mais empolgante.

Acordou. Guardou no peito a lembrança de um mundo que jamais existiu. Jamais existiu? Enganou-se se pensou assim. Na noite seguinte, deitou na cama, fechou os olhos e dessa vez aprendeu a pintar nuvens e a consertar corações quebrados... Mas essa é história para outro momento. A menina vai dormir, porque o mundo dela não aguenta tanto adiamento.

15.5.12

O que interessa.


“O que você não quer contar é a única coisa que me interessa”, ele disse.

Na cabeça dela, só tinha espaço para um pensamento. Será que de nada adiantou a sinceridade dada a todo custo durante o tempo em que esteve com ele? Não era fácil ser verdadeira. Não por um desvio de caráter, nem por um vício frenético pela mentira. Não era fácil porque o mundo lhe cobrava uma máscara sempre que saísse em público. Ser assim, fazer assim, portar-se assim. As regras são claras, meu amigo, e dizem: “não seja tão clara assim”. Sim, a relação entre eles exigia uma certa dose de sinceridade. Mas, paradoxalmente, pedia umas gotas de falsidade, que, no fundo, seriam benéficas. Ainda assim, ela evitava perder-se num mundo de invenções que amenizassem a cruel realidade. A maquiagem deixa a pessoa bonita, mas só temporariamente. Com água, a beleza se desmancha. Ela não queria ser um rosto manchado. Mas um dia, decidiu que talvez a verdade não coubesse no momento. E para não mentir, omitiu.

“Não posso contar. Não vou”.

Ele pegou a jaqueta jeans surrada de sempre, fechou a porta de madeira antiga e foi embora. Não voltou.

A consciência dela nunca foi tão limpa. E o coração, tão leve e vazio.

6.5.12

Minha Lua.

Foto: Jéssica Raphaela

4.5.12

Pega teu barco e navega.

Tem uma voz que a todo momento sopra no meu ouvido:

"Vai.  Pega teu barco e navega . O mar é grande. As ondas são deliciosas para um bom mergulho. Vai. Sobe a vela e deixa o vento te levar. Para lá. Para cá. O que importa? Vai sem rumo, menina. Vai que o mundo te espera".

Eu, no entanto, continuo ancorada num escritório com janelas fechadas.


More Than This (Featuring Norah Jones) by Charlie Hunter Feat. Norah Jones on Grooveshark

3.5.12

Se me vejo feliz, quase sempre exijo um talvez.


Legião.

2.5.12

Pro amigo distante.

Quase sempre você acalma meu coração, amigo. Vem com palavras certas nas horas necessárias. Ou com palavras necessárias nas horas certas. Você sempre acerta, mesmo quando me diz que estou errada.

Sei pouco de você. Ao mesmo tempo, sei tudo. Você é uma parte minha que estava em outro lugar no mundo. Não sei o que me levou a te encontrar, mas o fez. E quando te imagino ai, no teu canto, na tua casa, na tua cidade, sinto um abraço apertado no peito.

Um dia você me falou sobre como nossa amizade te deixava atrapalhado. " Estou tão só que preciso amar alguém longe", você escreveu. Há momentos em que essa é a exata sensação que me aperta aqui. Sim. Estou tão só. Não me permito aproximações que julgue inseguras. Não me permito transparências e exposições. Mas, de repente, me abro para você. Abro a mente, o pensamento, os devaneios. E aí, eu me pergunto: estou tão só que preciso me abrir para alguém que está tão longe e que, na realidade, no mundo palpável mesmo, conheço pouco?


Sei lá se pensar isso tudo importa mesmo. O fato é que você acalma meu coração. Quase sempre. E entre meus amigos, hoje, você é um dos mais necessários. Só erra na distância e na falta de abraço. Vai ter que dar um jeito nisso, amigo. E logo!


Da Rapha.

21.4.12

Céu, Brasília e afins.



O céu. É ele que me motiva a existir no lugar onde sou.
Parabéns, Brasília.
Você é realmente linda!

18.4.12

É fácil pra você.

Para mim, não é.

16.4.12

Dos dias sem propósito.

Sabe aqueles dias sem propósitos? As horas passam lentamente para resultarem em nada importante. Tenho tido vários deles. Se agrupam em semanas. São as semanas sem função alguma. Você só tem que esperar para que a sexta-feira chegue e você finalmente se sinta menos só do que nos chamados ‘dias úteis’. Úteis para quem mesmo? Para mim é que não têm sido.

Hoje é segunda. O início de mais um ciclo vazio, que vai de nada a lugar nenhum. Faço uma lista de coisas a resolver nos ‘dias úteis’ que se seguem. A cabeça dói. O estômago embrulha. Meu corpo já sente que tempo demais é o mesmo que tempo nenhum. É como quando você coloca a cabeça para fora da janela do carro. Muito vento na cara. Ar em excesso. E o que acontece? Você não consegue respirar. É oxigênio demais para entrar nos seus pulmões.

As horas se acumulam como areia em uma ampulheta infinda. Cada grão cai lentamente, sem pressa de ser. Eu mergulho no tempo, ou melhor, sou jogada nesse mar de horas, sem escolha. E lá fico, inerte.

11.4.12


Monstros imaginários.

Não quero ser responsável pelos seus monstros imaginários.
Não quero.

10.4.12

São Paulo

Foto: Jéssica Raphaela


Foi andando pela Avenida Paulista que pensei no tanto de possibilidades que aquela cidade me oferecia. Foi ali, naquele ponto central, que eu quis chacoalhar a vida de um jeito que tudo mudasse. Soprar forte para que as coisas fracas voassem longe e que as fortes ficassem em seu devido lugar.

São Paulo me trouxe um ar de nostalgia. Mas nostalgia por algo que eu queria estar vivendo. É como se em um universo paralelo eu morasse lá. Aproveitasse as baladas da Augusta. Andasse pelo Parque Ibirapuera nos fins de semana. Trabalhasse feito louca de segunda a sexta. É como se lá eu fosse mais engajada na vida, se é que você me entende.

Aquele céu cinza nunca foi o que desejei pra mim. Mas, estranhamente, olhei pra cima e me senti parte de algo. Os prédios enormes. As pessoas andando. Carros, barulho. Vi beleza naquilo. Me senti pequena, sim. Mas me senti parte de uma coisa grande também. E foi bom sentir isso.

Sei que a grama do vizinho sempre é mais verde. Mas ando precisando pisar nela, senti-la nos meus pés pra ver se é diferente do que parece ser. Ando com umas ideias na cabeça e umas vontades no peito. Pernas prontas para andar, olhos no horizonte. Se me empurrarem, eu vou. O ideal era que eu mesma tomasse impulso. Veremos.

3.4.12

O trovão.

Está chovendo forte lá fora. Gosto do som das gotas batendo na janela. A chuva traz uma sensação triste, mas, ao mesmo tempo, boa. É como se o mundo mostrasse respeito por você não estar lá tão feliz.

O mundo gira rápido demais. Ultimamente, tem ultrapassado a velocidade permitida da via. Não tem sido uma zona segura e não sei por onde guiar meu carro. Dou voltas. E sinto que não chego a lugar nenhum.  Uma hora de cabeça pra cima, noutra de cabeça pra baixo.

Os raios fotografam-me sentada aqui na cama, do lado de dentro da janela. Os trovões são a voz do meu interior. Não entendo o idioma. Mas presto atenção. Deve ser algo realmente importante.

"O que você quer de mim, mundo?", grito quando o desespero bate.

"O QUE VOCÊ QUER DE MIM?".

Um violento trovão responde.

Não consigo decifrar a mensagem.

Sigo, na chuva, no meu silêncio.

26.3.12

Permissão negada.

Não tenho mais acesso ao que, de fato, me pertence.

Erro de conexão

Depois de dois dias sem falar com ele, liguei.
A operadora de celular logo se adiantou em informar:
"Erro de conexão".
Então, é esse o nosso problema? Essa é a causa do nosso desencontro? Logo ele e eu que sempre fomos tão conectados, sem ruídos e falhas.
Eu, que esperava por respostas há tempos, desisti de ligar novamente.

21.3.12

19.3.12

13.3.12

Eu não ia dizer. Ele disse.


Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor.
Eu tenho medo, merda!
Ontem chorei.
Por tudo que fomos.
Por tudo o que não conseguimos ser.
Por tudo que se perdeu.
Por termos nos perdido.
Pelo que queríamos que fosse e não foi.
Pela renúncia.
Por valores não dados.
Por erros cometidos.
Acertos não comemorados.
Palavras dissipadas.
Versos brancos.
Chorei pela guerra cotidiana.
Pelas tentativas de sobrevivência.
Pelos apelos de paz não atendidos.
Pelo amor derramado.
Pelo amor ofendido e aprisionado.
Pelo amor perdido.
Pelo respeito empoeirado em cima da estante.
Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa.
Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados.
Pela culpa.
Toda a culpa.
Minha. Sua. Nossa culpa.
Por tudo que foi e voou.
E não volta mais, pois que hoje é já outro dia.
Chorei.
Apronto agora os meus pés na estrada.
Ponho-me a caminhar sob sol e vento.
Vou ali ser feliz e já volto.

- Caio Fernando Abreu -

9.3.12

Não te enxergo bem.

Te vejo de longe. Sou míope. Sem os óculos, não enxergo bem. Por isso, chego perto. Mas você se afasta. Não te enxergo bem. Nada fica nítido. Perco os detalhes. Você está longe. É difícil te ver.